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SOMAIÊ é Uma Coisa Vagabunda?!! A cada ano que passa nosso planeta dá uma volta no sol. A cada ano que passa, envelhecemos e aprendemos. Enfim, a cada ano que passa, EVOLUÍMOS. Depois de doze anos vivendo e produzindo SOMA, uma terapia anarquista; adotei o nome SOMA-IÊ por um ano e, em 2007 completo 5 anos de SOMAIÊ. Mas, o sub-título é que mais vem se adequando aos contextos: usei vivência libertária, laboratório de liberdades e, este ano, uma coisa vagabunda... Enquanto existir a SOMA, virão perguntas como, qual a diferença entre SOMA e SOMAIÊ. Fato inevitável, pois vim da SOMA e esta está em 2/3 da SOMAIÊ, seja em letras na palavra, seja no conteúdo da prática que desenvolvo. A cada ano, a medida que experencio as evoluções da técnica no devir dos grupos terapêuticos, aproveito e explicito em textos e artigos as construções teóricas advindas da minha prática. Um canal de comunicação que retornou ano passado é o Jornal Tesão, um impresso de 16 páginas e 5000 exemplares distribuídos em várias cidades, e também disponibilizado na internet. COISA Em livro que escrevo esse ano, no primeiro capítulo, questiono as PALAVRAS como uma necessidade inevitável, ao entendimento da visão de mundo da SOMAIÊ. Roberto Freire foi médico, psiquiatra e psicanalista e apesar de igualar os termos “pedagogia” e “terapia” em seus livros, adotou este último, como sub-título da técnica por ele criada. Quando nos últimos anos, verifico cada vez mais a importância dos aspectos pedagógicos que os terapêuticos na prática da SOMAIÊ, culminando em preferir ser chamado de produtor de Te&So que somaterapeuta. Um ex-cliente e ex-assistente, o Rattu, chamou no Jornal Tesão 1 a Somaiê de COISA: “Coisa? É, para muitos (como eu, antes de vivenciar a técnica) por mais explicações do que venha a ser a terapia, a Somaiê era sempre uma “coisa” não totalmente compreendida se não vivenciada.” Lembrei de uma célebre frase da maior referência da capoeira angola, Mestre Pastinha: “Capoeira é amorosa, não é perversa. ... é um hábito cortês que criamos dentro de nós. Uma coisa vagabunda.” Assim, este ano adoto o termo COISA. Pois apesar da SOMAIÊ ser terapêutica e pedagógica, antes de mais nada é uma coisa pras pessoas que se aproximam inicialmente. Uma coisa nova, e por mais conhecimento teórico que possa se ter, se torna uma coisa prática que questiona e modifica o viver dos seus participantes. Afinal, sou uma coisa que sobrevive na sociedade como 99% da humanidade: sem título acadêmico. Formalmente não sou terapeuta ou pedagogo, no sentido de ter diploma acadêmico nessas áreas. E a maior parte das pessoas que fazem essa coisa chamada Somaiê, ainda seguem o paradigma que rompi a 16 anos, fazer faculdade como opção de formação e sobrevivência. Não sou contra o meio acadêmico, só acho que é uma opção individual de uso do seu tempo e vida. Cheguei a fazer 5 anos de Arquitetura e Urbanismo, e ao fazer a SOMA, percebi que não gostaria de gastar mais nem um ano da minha vida neste meio, nem que fosse pra ter um título que possibilite cela especial em caso de prisão (único motivo que verifiquei a utilidade de me formar Arquiteto). Assim, prefiro manter a minha paranóia de além de ser um “sem-título”, convidar pessoas a seguir esse caminho e descobrir as Teorias da Somaiê, pois este mês, após um ano de congelamento, volto a convidar as pessoas a trilhar o ABC da SOMAIÊ. Curso criado por mim, a quem deseje uma formação informal em Te&So. VAGABUNDA “Sou vagabundo confesso...” Esse início de uma música de capoeira resume meu viver nas duas últimas décadas. Pois, assim como não me formei. Nunca tive um trabalho formal, com Carteira de Trabalho assinada. Nunca tive de acordar cedo numa rotina de cumprir horário fixo. Sou um desempregado por opção, pois não quero empregos. Nas últimas eleições, o mote da Justiça Eleitoral era: Seja você o patrão... Enfim, uma publicidade mentirosa (será pleonasmo vicioso dizer publicidade mentirosa?? ‘risos’) a convencer os eleitores que os eleitos são seus empregados. Comparação tecnicamente possível e idealizada, mas que na prática é uma falácia absurda: os empregados podem roubar e não ser presos, mas os patrões não?! Os empregados podem aumentar seus salários e não aumentar o salário mínimo dos patrões?!! De qualquer maneira, este não é um manifesto anti-eleições, pois há muito que desisti do voto, inclusive do voto nulo. Hoje prefiro ignorar as eleições. Mas é interessante o “seja você o patrão” pois pega no desejo de grande parte dos empregados e trabalhadores: ser patrão. Sou vagabundo confesso, pois não quero ser patrão. Só existe “patrão” se houver “empregado”, e não quero ser nem um nem outro. Mesmo o dito patrão de sí próprio é uma abstração na linguagem que abomino... Remete a uma obrigatoriedade do trabalho. Sou ocioso. Posso chamar de ócio criativo, como Domenico de Masi vislumbra pra própria economia formal no futuro. Mas também são palavras viciadas. No fundo quero
fazer somente o que quero, buscando meu prazer de produzir, se isso pode ser considerado trabalho, é secundário. Quero um fazer/ser que me permita viver minha corporalidade no momento presente e não me sacrificar a espera de benefícios futuros, como um salário ou aposentadoria. Quero
viver meu momento presente, na radicalidade de sobreviver fazendo o que gosto, pois daí inverto a lógica do mercado e transformo meu viver em VIVER; diferente de quem pensa estar vivendo bem com garantias de empregos ou rendas, mas que na prática vive uma sobrevida, onde existe o sacrifício
de “ter de trabalhar”. Enfim, hombre que trabaja pierde tiempo precioso... Muitas religiões evocam o trabalho como dignidade e projetam um paraíso eterno aos que se sacrificam aqui na terra. Antes mesmo de eliminar o trabalho e a faculdade na minha vida, já tinha eliminado a mediocridade das religiões na busca da minha religiosidade, mas aqui repito o último parágrafo do “O Ócio Criativo” de Domenico De Masi: “Naquele bonito conto de Borges, quando o discípulo pergunta se o paraíso existe, o mestre Paracelso responde dizendo que tem certeza que o paraíso existe: e é nesta nossa terra. Mas o inferno também existe: e consiste em não se dar conta de que vivemos num paraíso” SOMAIÊ Enfim, enquanto a maior parte das pessoas buscam diplomas e empregos, na SOMAIÊ propomos o autoconhecimento de suas Potencialidades Múltiplas pra se viver de uma forma mais criativa e prazerosa, mesmo que com diplomas e empregos. Assim, não podemos inverter nossas buscas, pois muitos acham que tendo diplomas e empregos, poderão ser alguma coisa, ou ainda, ter garantias pra poder se descobrir e SER. Cada vez mais, diplomas e empregos valem menos, pois o que importa é SER e FAZER o que se gosta e o que se deseja. Muitos terão de primeiro conquistar esses diplomas e empregos pra depois poder radicalizar na busca por si mesmo, consegui através da SOMA, inverter essa lógica e priorizar a busca por mim mesmo, e nesse caminho desenvolvo a SOMAIÊ, com vistas a convidar a quem queira de descobrir, numa técnica vertical, numa experiência terapêutica e pedagógica, enfim, numa coisa vagabunda. Estamos sempre evoluindo; se pra melhor ou pior, isso depende SEMPRE do observador. Fazer SOMAIÊ hoje, é descobrir o MULTIVERSO que a vida se realiza, e que mediocrizamos ao perceber isso dentro de um UNIVERSO limitado a verdades maniqueístas. Estamos com grupo aberto em São Paulo para o mês de MAIO de 2007, e buscamos companheiros pra levar esse ambiente marginal a outras cidades. Temos contatos de interesse, mas precisamos de corpos se movimentando e se encontrando pra que isso se realize... APAREÇA e CRESÇA. Rui Takeguma, Sampa, 25 de abril de 2007. |
Manifesto da SOMAIÊ para 2007: escrito e publicado em 25 de abril
visitas (início em 25/4/07)